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Professora da rede Estadual lança Romeu e Julieta em cordel
10/05/2007 11:04
por Redação CCom

Uma história do século XVI, que rompe as paredes invisíveis do tempo e se atualiza a cada montagem, prova ser uma obra-prima universal. Romeu e Julieta, o clássico romance de William Shakespeare, ganhou nova versão por meio do Projeto Literatura de Cordel. O projeto é realizado nas escolas públicas da Secretaria da Educação e Cultura do Estado - Seduc, pela professora Maria Ilza Bezerra.

A narrativa é um drama baseado em fatos ocorridos na cidade de Verona, na Itália, e envolve o destino de dois jovens amantes que viveram um amor proibido. A rivalidade entre suas famílias conduz o romance a um desenlace trágico, mas a genialidade da arte dramática de William Shakespeare transformou essa história na maior celebração de lirismo e amor romântico de todos os tempos.

A autora de Romeu e Julieta em cordel é servidora pública, conta com vasta experiência como professora do ensino fundamental, médio e superior e considera o cordel como seu porta-voz. “São as histórias que eternizam nosso passado, embalam nosso presente e contemplam nosso futuro”, declara Ilza Bezerra.

Além de Romeu e Julieta, Ilza Bezerra publicou: Tudo é um momento, em 1998; Uma fada na Floresta, em 1999; Auto do Padre Cícero, em 2003; Cidadania Ferida, em 2005, entre outros. Ilza Bezerra é considerada a única mulher de destaque nacional na área. “Não é comum encontrarmos mulheres cordelistas no país. Tenho a preocupação de divulgar meu trabalho fora do Nordeste”, confirmou.

Os cordéis são escritos em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras, o mesmo estilo de gravura usado nas capas. As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. Os autores, ou cordelistas, recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola.

A história da literatura de cordel começou com o romanceiro luso-espanhol da Idade Média e do Renascimento. O nome cordel está ligado à forma de comercialização desses folhetos em Portugal, onde são pendurados em cordões, lá chamados de cordéis. Foram os portugueses que trouxeram o cordel para o Brasil, na segunda metade do século XIX.

Embora seja pouco freqüente, também há criações de cordel em prosa. Esse tipo de literatura popular existe também na Sicilia (Itália), na Espanha e no México. Na Espanha é chamada de pliego de cordel ou pliegos sueltos (folhas soltas).

Os temas mais comuns incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, lendas e temas religiosos. As façanhas do cangaceiro Lampião (Virgulino Ferreira da Silva, 1900-1938) e o suicídio do presidente Getúlio Vargas (1883-1954) são alguns dos assuntos de cordéis de maior tiragem.

No Brasil, a literatura de cordel é produção típica do Nordeste, sobretudo no estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Ceará. Costuma ser vendida em mercados e feiras pelos próprios autores. Em outros estados, como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, são encontrados em feiras de produtos nordestinos. Nos grandes centros já há impressões mais sofisticadas.

A tipologia de assuntos que cobrem crítica social e política e textos de opinião elevam a literatura de cordel ao estandarte de obras de teor didático e educativo. Para a xilógrafa Yolanda Carvalho, uma admiradora do cordel, a literatura popular em versos do Nordeste brasileiro pode ser classificada nos seguintes ciclos: o heróico, o maravilhoso, o religioso ou moral, o satírico e o histórico.

A cordelista Ilza Bezerra estará ministrando oficina em Teresina, de 12 a 22 de junho, na Universidade Federal do Piauí (UFPI), durante a II Semana Noêmia Varela.

Por Claudia Bezerra



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